O uso de Drogas entre os Caminhoneiros no Brasil : outra visão (dependência química)

Não é segredo para ninguém que os caminhoneiros, de forma geral, vivem em péssimas condições de trabalho, salários irrisórios, estradas desestruturadas e etc. A lei dos caminhoneiros 13.103/2015, deveria ter vindo para melhorar, mas, infelizmente, não foi o que ocorreu, pois, dentre outros, permitiu o Acordo Coletivo, em diversos assuntos, diretamente com o empregador e isso deixou o trabalhador mais vulnerável, sem falar que cerca de 20% dos caminhoneiros trabalham de forma autônoma. Mas, este não é o objeto dessa reflexão. Pretende-se, neste texto, falar um pouco sobre o alarmante uso de drogas entre os profissionais da categoria e como isso tem causado uma dependência química crônica.

Pesquisas apontam que, de cada dez caminhoneiros, seis fazem uso de algum tipo de medicamento (rebite: nomenclatura genérica). Os motoristas depois de tanto tempo de trabalho fazem o famoso “quarentinha” (frase de caminhoneiro), descansam 40 minutos e voltam ao trabalho fazendo uso de medicação. As substâncias utilizadas pela categoria fazem com que estes profissionais fiquem de 12 a 18 horas sem dormir e comendo quase nada. Isso, além de colocar suas próprias vidas em risco, causam grande quantidade de acidentes que afetam terceiros que não tem nada a ver com esta atividade laboral.

O desobesi (inibidor de apetite), medicamento que foi proibido em 2011, mas que ainda é encontrado no “mercado negro” é vendido por cerca de apenas 20 reais, consta na sua composição a substância femproporex, essa medicação atua diretamente sob o neurotransmissor neroadrenalina e causa dependência profunda. A anfetamina, menta-anfetamina, êxtase, crack e a cocaína também são usadas entre os profissionais dessa área e são estimulantes do sistema nervoso central, aumentando a capacidade física e mental durante a sua ação, causando também profunda dependência. Temos tratamento adequado em Clínica para Dependentes Químicos que pode ajudar tais profissionais a se livrarem da dependência e voltarem a trabalhar sem a necessidade do uso de tais substâncias. A internação talvez seja a melhor opção para desintoxicação e tomada de decisões para encontrar um mecanismo que venha a livrar os caminhoneiros do fantasma da dependência química..

A utilização medicamentosa indiscriminada desses psicotrópicos podem causar lesões cerebrais, esquizofrenia, paranoia, síndrome do pânico e várias outras doenças que, além da dependência química, levam enfermidades gravíssimas que o levarão até mesmo à morte. Não cabe aqui julgar nenhum profissional que luta no dia a dia para levar o pão pra casa, mas, sim, refletir sobre um assunto de saúde pública que merece a devida atenção. Queremos que o Brasil cresça e se desenvolva, mas não às custas da saúde de profissionais que ficam presos a esses medicamentos porque precisam entregar rápido para ter uma remuneração um pouco melhor. É bom lembra que a maioria não ganha mais que dois salários mínimos para deixarem suas vidas nas estradas.?

Quero destacar o primeiro tópico do Protocolo de Estocolmo de 1972 (Declaração da Conferência de ONU no Ambiente Humano) que diz: “1. O homem é ao mesmo tempo obra e construtor do meio ambiente que o cerca, o qual lhe dá sustento material e lhe oferece oportunidade para desenvolver-se intelectual, moral, social e espiritualmente. Em larga e tortuosa evolução da raça humana neste planeta chegou-se a uma etapa em que, graças à rápida aceleração da ciência e da tecnologia, o homem adquiriu o poder de transformar, de inúmeras maneiras e em uma escala sem precedentes, tudo que o cerca. Os dois aspectos do meio ambiente humano, o natural e o artificial, são essenciais para o bem-estar do homem e para o gozo dos direitos humanos fundamentais, inclusive o direito à vida mesma”.

Acreditamos que a saúde pública, engloba várias situações, mas, nossa atuação se dá em ajudar pessoas que sofrem com a dependência química e que, em alguns casos, a internação é a única saída para devolver ao ser humano a dignidade que precisa para viver bem e livre da “cadeia” do uso de substâncias psicoativas que o levam a degradação. Caso esteja precisando de ajuda não deixe de nos procurar, somos especialistas e trabalhamos com Clínica de Recuperação para Dependentes Químicos, ajude a salvar uma vida, pois, esse é o nosso bem mais valioso.

Grato.

Arthur Benny da S. Braña – historiador e cientista jurídico.